Sandra Regina Ruiz Gomes, a Sandrão, voltou a falar publicamente após quase uma década de reclusão voluntária. Condenada a 27 anos pelo sequestro e morte do adolescente Talisson Vinícius da Silva Castro, de 14 anos, em 2003 - crime cometido com três comparsas e cuja vítima foi executada mesmo após o pagamento do resgate - a ex-detenta tornou-se uma figura conhecida nacionalmente não apenas pelo caso policial, mas também por seu relacionamento com duas presas célebres: Elize Matsunaga e Suzane von Richthofen.
Agora, com a repercussão da série “Tremembé” (Prime Video), baseada nos livros de Ulisses Campbell, Sandrão volta ao centro da narrativa. E faz isso concedendo entrevista ao Domingo Espetacular (Record), onde retoma, com raro detalhamento, sua versão sobre seu relacionamento com Suzane.
“Eu fui apaixonada sete anos por Suzane. Foi um relacionamento intenso que começou em 2009. Eu acho que uma máscara não dura 24 horas por dia. Então, eu acredito que em algum momento Suzane também deve ter se apaixonado por mim”, revelou ao jornalista Roberto Cabrini, segundo informações do R7.com.
Sandra também falou sobre o crime que a fez parar atrás das grades. “Falam que eu atirei no garoto, que eu mandei matar, que eu dei a arma na mão do menor. É mentira”, alegou.
A reaparição da ex-presidiária acontece no auge da popularidade da série “Tremembé”, que reviveu o interesse do público pelo que acontecia dentro da chamada “cadeia das famosas”, em referência às presas envolvidas em crimes que sacudiram o país.
Na produção, o triângulo amoroso entre Elize, Suzane e Sandrão ganha destaque dramático. E, apesar da linguagem ficcional, muitos dos fatos se baseiam em depoimentos e registros do sistema prisional - incluindo o reconhecimento formal do relacionamento entre Suzane e Sandrão dentro do presídio, com a assinatura de um documento sem valor legal, mas com função disciplinar, que lhes permitia dividir o “celão”, ou “gaiola do amor”.
Antes de Suzane, foi Elize Matsunaga quem viveu um relacionamento com Sandrão. As duas se aproximaram quando tiveram que dividir um colchão em uma noite fria, e Elize teria se apaixonado de forma genuína, segundo relato de uma funcionária ao Fantástico. Porém, quando Sandrão decidiu ficar com Suzane, Elize se afastou do convívio de ambas.
Em Tremembé, a união entre Suzane e Sandrão chegou a ser considerada tão estável que agentes e presas a tratavam como um “casal consolidado”, com repórteres chegando a afirmar que “quem conhece o casal mais famoso de Tremembé aposta em um longo relacionamento”.
Dentro da penitenciária, Sandrão era vista como uma das figuras mais influentes da ala feminina. Ganhou fama por romances, conflitos e episódios de indisciplina - incluindo a agressão a um agente penitenciário, que atrasou sua soltura. Mas, após o incidente, ela mudou seu comportamento, cumpriu os requisitos legais e deixou Tremembé em 2015 para um regime mais brando, alcançando o regime aberto em 2016.
Desde então, vive em Mogi das Cruzes, reclusa e sem aparições públicas, monitorada pela Justiça e proibida de viajar sem autorização. A entrevista ao Domingo Espetacular marca sua primeira exposição midiática significativa desde então.